2 Julho – 3 Agosto

                                                

 

Luciano Berio

Um dos maiores compositores de vanguarda italianos, Luciano Berio nasceu em 1925 numa família de músicos que rapidamente o conduziram para o mundo da composição. Estudou em Milão até 1951 e iniciou depois uma carreira vivendo alternadamente em Itália e nos EUA. Casou em 1950 com a cantora Americana Cathy Berberian e muitas das suas peças foram escritas para a sua voz. Entre 1955 e 1960, dirigiu o Studio di Fonologia Musicale, um centro de investigação em música electrónica que fundou em conjunto com Bruno Maderna, na RAI. Passada mais uma década em que viveu nos EUA regressou a Itália onde fundou o Centro Tempo Reale, um instituto de pesquisa musical que colocou lado a lado músicos e especialistas em informática com o objectivo de explorar novas formas de composição. Pertencendo à mesma geração de Cage, Boulez e Stockhausen, Berio foi pioneiro no uso da electrónica como forma de explorar novas fronteiras musicais. Empregou uma miríade de idiomas e técnicas durante a sua longa e prolífera carreira, especializando-se em obras para voz, música aleatória, serialismo, música electrónica, e as muito famosas peças virtuosísticas intituladas Sequenzia. Berio tinha um grande fascínio pela literatura, em particular pela literatura moderna e pos-moderna do séc XX. Italo Calvino escreveu textos para várias obras dramáticas de Berio, e o seu trabalho na rádio italiana levou a uma amizade com Umberto Eco. Faleceu em 2003.

 

 Jesús Rueda

Jesús Rueda, nasceu em Madrid em 1961. Estudou piano com Joaquin Soriano e harmonia com Emilio Lopez no Real Conservatório Superior de Música de Madrid. Posteriormente fez estudos de composição com Luis de Pablo e Francisco Guerrero, desenvolvendo-os com Giacomo Manzoni, Armando Gentilucci e Luigi  Nono como bolseiro do Festival de Granada. No âmbito da música electroacústica trabalhou com Horacio Vaggione no Gabinete de Música Electroacústica de Cuenca. Foi bolseiro da Academia Española de Bellas Artes (Roma) em 1995-96 e da Casa de Velazquez (Academia Francesa de Madrid) em 2000. Compositor residente da Joven Orquesta Nacional de España (JONDE) em 1997-98, representou o país por diversas vezes, nomeadamente, no EFNYO (Amsterdão) em 2000 com a Sinfonia I; Tribuna Internacional de Compositores “Rostrum” em 2003 com a Sinfonia IIAcerca del límite”; Gaudeamus Musicweek em 1990; World Music Days de Zurich em 1991, entre outros. Tem recebido encomendas de numerosas entidades como o Ministério da Cultura de Espanha, Ensemble InterContemporain de Paris, Novecento Musica de Milano, Niewe Muziek de Middelburg, Ensemble L’Itineraire de Paris, L’Auditori de Barcelona. Do mesmo modo a sua obra tem sido interpretada por diversos agrupamentos e solistas internacionais, nos que se destacam o Quarteto Arditti, Orquestra Filarmónica de Strasbourg, Amanda Sukarlan, Orquestra do Teatro Ermitage, Orquesta Nacional de España, Modus Novus etc. É membro fundador de “Música Presente” e galardoado com numerosos prémios nacionais e estrangeiros como o 1º Prémio da Sociedad General de Autores de España, Prémio Forum Junger Komponisten em Colónia 1992, IRCAM Reading Panel 1995, entre outros. As suas obras têm sido apresentadas em festivais e salas internacionais do maior prestígio. Foi gravado recentemente um CD monográfico com obras suas pela editora alemã Collegno por iniciativa do Proyecto Gerhard. A sua obra está publicada em diversas editoras, assim como na sua actual editora Tritó (Barcelona). Actualmente é compositor residente da Orquesta de Cadaqués. Participou no 3º Encontro Nova Geração de Compositores do Mediterrâneo realizada no Estoril em 2004.

 Paulo Ferreira Lopes

Paulo Ferreira Lopes, entre 1988 e 1991 estuda composição com Constança Capdeville e música electroacústica com António de Sousa Dias. Foi fundador e director do estúdio de música electroacústica C.C.I.M.-J.M.P. entre 1992 e 1995. Em 1995 Entre 1995 a 1997 faz estudos de composição em Paris com Antoine Bonnet e composição assistida por computador com Curtis Roads. Em 1996, obtém o diploma de Mestre pela Universidade de Paris VIII sob a orientação de Horacio Vaggione. Estudos de aperfeiçoamento com Karlheinz Stockhausen, em 1996, nos “Internationale Ferienkurse für Neue Musik”, em Darmstadt. Em 1996, é distinguido pelo “Ministère de la Recherche”, pelo seu trabalho de investigação. “Chercheur résident” no departamento de “Esthétique et Technologies des Arts” na Universidade de St. Denis-Paris VIII, com uma bolsa do estado francês (Ministère de la Recherche). Em 1997, é-lhe atribuído o prémio de composição no âmbito da mostra de cultura “documenta X”, em Kassel (Alemanha). Conclui, em 2004, o Doutoramento no departamento de “Esthétique, Sciences et Technologies des Arts” da Universidade Paris VIII, sob a orientação de Horacio Vaggione, com uma bolsa da FCT. Desde 1998 é regularmente convidado para residências artísticas no ZKM, em Karlsruhe. É membro do Parlamento Europeu de Cultura desde 2002. Em 2004 foi seleccionado pela International Society for Contemporary Music para representar Portugal no World Music Days 2004, em Zurique.participa no Stage d’été do IRCAM (Centre Georges-Pompidou-Paris) sob a orientação de Philipe Manoury.

 Franco Donatoni

Franco Donatoni nasceu em Verona em 1927. Estudou composição no Conservatório Giuseppe Verdi com Ettore Desderi, em Milão e com Lino Liviabella, no Conservatório de Bolonha. Em 1949 Donatoni completou o curso de composição e de orquestração e em 1950 o curso de música coral. Fez ainda o curso avançado de composição com Ildebrando Pizzetti na Accademia Nazionale de S. Cecília, em Roma, e frequentou, em Darmstadt, os Ferienkurse de 1954, 1956, 1958 e 1961. A par da sua carreira de compositor, Donatoni manteve uma intensa actividade como professor de composição, tendo ensinado nos conservatórios de Bolonha, Turim e Milão, na Accademia Nazionale de S. Cecilia em Roma, na Academia Chigi em Siena. Em 1972 Donatoni foi convidado pela Deutscher Akademischer Austauschdienst para uma residência de um ano em Berlim. Em 1985 recebeu o título de “Commandeur dans l’Ordre des Arts et des Lettres” do Governo Francês. A sua música e o seu pensamento musical influenciaram várias gerações de compositores e a sua vasta obra é regularmente apresentada em concertos. Em 1990 o Festival Settembre Musica de Turin dedicou uma série de concertos à sua música e, em 1982, em Milão, o Festival “Milano Musica” organizou um importante programa com a sua música, apresentado um grande número das suas mais importantes obras, incluindo a primeira audição de "Feria II"– para orção e "A arte da fuga" de Bach, numa transcrição de Donatoni para orquestra. Na década de 90 devem ser mencionadas obras como "Sweet Basil" (1993) para trombone e Big Band, "Portal" (1995) para clarinete baixo, clarinete em si bemol e orquestra, "In Cauda II" (1996), e "In Cauda III" (1996). Em 1996 completou o ciclo (iniciado em 1983) com "Françoise Variationen" para piano. Em 1998 a sua opera curta, "Alfred Alfred", foi apresentada no Festival Musica de Strasbourg. Franco Donatoni faleceu em Milão em 2000.

 Vasco Mendonça

Vasco Mendonça tem tido obras executadas em Inglaterra, Holanda e Portugal. Estreias recentes incluem as peças "Procession" (encomenda IX Festival Internacional de Música de Mafra), "Plurabelle" (Prémio Lopes-Graça de Composição 2004), "Pulse Mechanisms" (Gaudeamus International Contemporary Music Week 2003) e "The Boys of Summer"(Haarlem International Choir Festival 2003).  A sua música tem sido tocada em espaços como Het Concertgebouw (Amsterdam), Ysbreker (Amsterdam), Vredenburg (Utrecht), Royal Northern College of Music (Manchester), Casa da Música (Porto), Centro Cultural de Belém, Teatro Municipal São Luiz e Culturgest. Entre os intérpretes da sua música encontram-se o Asko Ensemble, Nieuw Ensemble, Nederlands Vocaal Laboratorium, Remix Ensemble, Orquestra Gulbenkian e a Orquestra de Câmara de Cascais. Mendonça obteve o Bacharelato em Composição na Escola Superior de Música de Lisboa, tendo completado, em 2004, o Mestrado em Composição no Conservatorium van Amsterdam, sob a orientação de Klaas de Vries.

 Enzo Restagno

Enzo Restagno, professor de história da  música e música contemporânea na Universidade de Torino, tem dado cursos e conferências em todo o mundo, e escrito mais de quinze livros sobre Ligeti, Henze, Carter, Xenakis, Nono, Berio, Gubaidulina, Reich e outros. Foi director artístico da Orquestra Sinfónica da RAI e há muitos anos dirige o Festival “Settembre Música” de Torino. Actualmente é, também, consultor artístico das edições Ricordi de Milano.

 

Régis Campo

Régis Campo, natural de Marselha, nasceu em 1968. Estudou inicialmente com Georges Boeuf e Danièle Sainte Croix no Conservatório da sua cidade natal, assim como filosofia, em Aix-en-Provence. Completou os seus estudos em Paris nas classes de Jacques Charpentier, Alain Bancquart, Gérard Grisey e, posteriormente, trabalhou com Edison Denisov. O seu estilo privilegia o humos, o prazer de tocar e uma grande vitalidade nos tempos que o definem como uma figura dominante na nova geração de compositores franceses. Gustav Mahler, Igor Stravinsky, Charles Ives e Olivier Messiaen, são os compositores do século XX que mais admira. Galardoado com numerosos primeiros prémios nacionais e internacionais, a sua obra é apresentada por agrupamentos e orquestras de renome nos principais centros europeus. Das mais de uma centena de obras, destacam-se Commedia, Concerto pour violon, Nonsense Opera, Lumen, Ouverture en forme d’étoiles, Sinfonia nº. 2 Mozart, etc. Parte da sua obra está gravada em CD, etiqueta Aeon. Apresenta-se pela primeira vez em Portugal.

 

David del Puerto

David del Puerto, nasceu em Madrid em 1964. Foi discípulo de Francisco Guerrero e Luis de Pablo. Desde muito cedo revelou qualidades que o definem como um dos mais talentosos compositores da sua geração. Com 20 anos destaca-se no Almeida Festival de Londres e, pouco depois, recebe uma encomenda de Pierre Boulez para o Ensemble InterContemporain. Desde então, a sua música é apreciada nos principais centros da Europa, Ásia e América. Venceu em 1993 o Prémio Gaudeamus (Amsterdam) e El Ojo Crítico da Rádio Nacional de Espanha. Em 2005, é-lhe concedido o Prémio Nacional de Música (Espanha). A sua música é marcada por uma procura serena mas férrea em si mesma, sem reservas nem concessões, levando-a a percorrer um dos caminhos mais pessoais e originais do panorama actual. É professor na Escuela Superior de Música Reina Sofia. Apresenta-se pela primeira vez em Portugal.

Nicola Campogrande

Nicola Campogrande, nasceu em Torino em 1969. É considerado como um dos mais interessantes compositores italianos da jovem geração. Entusiasta da música teatral, escreveu as óperas Macchinario, Lego e Alianti com libretos de Dario Voltolini. A sua ópera de bolso, Cronache animali, sobre textos de Toti Scialoja, teve mais de 70 representações desde 1998. A música de câmara e sinfónica tem sido particularmente contemplada com obras com o Absolut, Concerto for cello and electric bass, tocadas por Mario Brunello, Renaud Capuçon e Michael Flaksman, assim como, Pianoconcerto (after Bach), encomenda de Gianandrea Noseda. A Sinfonietta foi executada em Paris para a UNESCO. Tem gravado numerosos CDs monográficos e a sua música é apresentada nos principais centros internacionais e publicada por editoras com a Universal, Casa Musicale Sonzogno ou Rai Trade. Desde 1998 colabora com a Rai Radio3, é editor do magazine Sistema Musica e director artístico da Orquestra Filarmónica de Torino. Apresenta-se pela primeira vez em Portugal.

Saed Haddad

Saed Haddad, residente na Alemanha, nasceu na Jordânia em 1972. Iniciou os estudos de piano muito cedo, dedicando-se mais tarde à composição após concluídos, em 1993, os estudos em filosofia na Universidade de Leuven (Bélgica). Posteriormente foi premiado pela Academia de Música da Jordânia (1993-1996), tendo obtido o Mestrado em Composição na Academia de Música e Dança de Jerusalém e na Universidade Hebraica de Jerusalém em 1998-2001. Sob a supervisão de Menachen Zur e Ari Ben-Shabtai. Teve master-classes com Andre Bom, Allain Gaussin, Hanna Kuelenty, Louis Andriessen e Helmut Lachenmann. É Doutorado em Composição pelo King’s College de Londres onde estudou com George Benjamin (2002-2005). Obteve numerosos prémios em Israel, França e Reino Unido, incluindo o New Millennium Prize-Birmingham 2003. Possui um vasto leque de obras encomendadas por prestigiados agrupamentos como o Arditti Quartet, Nieuw Ensemble, Atlas Ensemble, Birmingham Contemporary Music Group, Fundação Eduard van Beinum (Holanda), entre outros. Tem tido numerosas estreias pela London Sinfonietta, Ensemble Modern, Israeli Contemporary Players, Philharmonia Orchestra, etc., sob a direcção de Zsolt Nagy, Franck Ollu, Martyn Brabbins, Lucas Vis e Ed Spanjaard. As suas obras têm sido apresentadas em centros de prestígio como Asian Composers League Festival, Aspekte Salzburg Festival, Proms/Gaudeamus Festival, Centre Pompidou, Royal Festival Hall ou Alter Oper-Frankfurt. De 2004 a 2005 foi compositor associado ao Birmingham Contemporary Music. Tem dirigido cursos na Jordânia e em diversas universidades europeias. Apresenta-se pela primeira vez em Portugal.

Sara Carvalho

Sara Carvalho nasceu em 1970 e estudou composição na Universidade de Aveiro com João Pedro Oliveira. Obteve o Mestrado em Música (MA) da Universidade de York, Inglaterra em 1996. Entre 1996 e 1999, como bolseira da PRAXIS XXI / JNICT (actual FCT), realizou um Doutoramento em composição (DPhil) na Universidade de York, com Nicola LeFanu. Estudou e participou em diversos cursos com Emmanuel Nunes, Betsy Jolas, Kurt Schwertsik, Brian Ferneyhough, Michael Finissy, Jonathan Harvey e Roger March. As suas obras têm sido regularmente tocadas em Portugal e no estrangeiro. Entre as suas obras mais importantes destacam “Chimaera”, encomenda da University of York Chamber Orchestra e dirigida por Jacek Kaspszyk, “É-se” estreada em Londres pelo grupo Lontano, “sounding silences” escrita a pedido do Centro Cultural de Belém, “Solos III” (flauta solo) encomenda do IPAE e gravada pelo flautista Jorge Salgado, “Escadas com Estórias” encomenda conjunta da “Porto 2001” e do Centro Cultural de Belém, “nothing can both be and not be” finalista e estreada no concurso “2002 Alea III” (Boston, EUA), “surya namaskara” encomenda do IA e estreada pelo grupo Black Hair, “a distant mirror”, escrita a pedido do pianista Marcel Worm e estreada em Colónia no “forum neuer musik 2004”, “Squashed Fairies” encomenda do IA e estreada pela OrquestrUtópica e “Ta Prohm” encomenda e estreia pelo GMCL. A obra “Solos I”, para violino solo, em 2003 foi editada pelo CCO (Círculo Católico d´Operários) e pela editora Quantitas, e em 2004 a obra Blows Hot & Cold, para quarteto de cordas, foi gravada no CD “Nova Música de Câmara Portuguesa”, editado pela Numérica. Foi fundadora e é co-directora artística do Momentum Ensemble. Presentemente é Professora Auxiliar no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, onde ensina Composição, Análise e Orquestração.