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SEMANAS DE MÚSICA DO ESTORIL

Projecto
Mare Nostrum



As
Semanas de Música do Estoril foram criadas pela Associação Internacional de Música da Costa do Estoril em 2001 através da fusão dos Cursos Internacionais de Música do Estoril, Festival do Estoril e Concurso de Interpretação do Estoril.

Desde a sua criação em 1962, milhares de alunos de todos os continentes participaram nos
Cursos Internacionais de Música do Estoril. Artistas como Maria João Pires, Ana Bela Chaves, Artur Pizarro, Álvaro Cassuto, Pedro Burmester, Elsa Saque, António Rosado, incluindo a quase totalidade dos músicos portugueses contemporâneos, têm acorrido às classes magistrais dos mais conceituados artistas e pedagogos mundiais dos últimos quarenta anos. Em 1987, por ocasião do 25º aniversário da sua fundação, a Secretaria de Estado da Cultura atribui-lhe a Medalha de Mérito Cultural. 2006 assinala o início, no Estoril, da International Summer School for Singers, em co-operação com a entidade inglesa Operaplus

Por outro lado, a criação do Festival de Música em 1975 proporcionou a presença de figuras do mais alto relevo como Mstislav Rostropovitch, Sándor Vegh, Rudolf Nureyev, Marcel Marceau, Teresa Berganza, Paul Tortelier, Ruggiero Ricci, Paul Badura-Skoda, Christa Ludwig, Aldo Ciccolini, Hopkinson Smith, Gustav Leonhard, Gundula Janowitz, Rinaldo Alessandrini, Ewa Podles, Alberto Lysy, Sara Mingardo; famosas orquestras como a Royal Philharmonic de Londres, Filarmónica de Moscovo, Sinfónica Nacional da Ucrânia, Virtuosos da Filarmónica de Berlin, Orquestra Barroca da Comunidade Europeia ou, ainda, os agrupamentos Hilliard Ensemble, As Grandes Vozes Búlgaras, Ballet Nacional de Espanha, Ballet da Ópera de Nice, Orfeón Donostiarra, I Fagiolini, The Swingle Singers, entre centenas de outros, tendo contribuído para a difusão de novos valores e criações recentes através de mais de trezentas obras apresentadas pela primeira vez em Portugal, muitas das quais em estreia mundial. Além de compositores contemporâneos consagrados como Messiaen, Ligeti, Webern, Feldman, Luis de Pablo, Lopes-Graça, Ohana, Peixinho, entre tantos outros, o Festival tem dedicado especial atenção às novas gerações de criadores. Em reconhecimento do seu valor como um dos expoentes artístico nacionais, o Festival é integrado em 1983 na
European Festivals Association, máximo organismo mundial da especialidade, em representação de Portugal. Em 1985, Ano Europeu da Música, a Câmara Municipal de Cascais atribui a Medalha de Mérito Municipal à Associação Internacional de Música da Costa do Estoril, realçando o êxito das acções desenvolvidas no meio internacional para a integração do Festival na EFA. O Festival do Estoril acolheu em 1985 e 1998 as Assembleias-Gerais da EFA. Nos anos 2008 e 2009 foi reconhecido pela Comissão Europeia como um dos festivais de maior destaque europeu no contributo ao Dialogo Intercultural e à Criação e Inovação, temas designados para esses anos. Em 2010, integram, juntamente com a UER, o grupo de sete festivais internacionais membros da EFA fundadores do projecto MusMA (Music Master on Air), sob a Presidência de Honra do Dr. Herman van Rompuy, Presidente da EU.

Do mesmo modo, o
Concurso de Interpretação do Estoril, criado em 1990, tem contribuído para a difusão dos mais promissores valores nacionais da actualidade. Entre os diversos premiados destaca-se a carreira artística de Ana Ferraz, soprano, Bárbara Dória, piano, Luis Rodrigues, barítono, Luis Marques, oboé, Luis Carvalho, clarinete, Teresa Valente Pereira, violoncelo, Armando Possante, barítono, Lara Martins, soprano, Gonçalo Pescada, acordeão, Rui Lopes, fagote ou Iva Barbosa, clarinete, iniciada após a participação no CIE. Em 2003, em virtude do bom nível alcançado pelo Concurso, a prova final é incluída na programação do Festival de Música. Em 2006, o El Corte Inglés associa-se a esta iniciativa, pelo que passa a denominar-se Concurso de Interpretação do Estoril / Prémio El Corte Inglés.

As
Semanas de Música do Estoril iniciam em 2003 o projecto Mare Nostrum resultante dos encontros Nova Geração de Compositores de Mediterrâneo realizados em 2001 e 2002 com participantes da Itália, França, Espanha, Croácia, Grécia, Eslovénia, Chipre, Turquia, Líbano, Tunísia, Jordânia e Portugal. O êxito da iniciativa, fonte permanente de conhecimento das correntes estéticas de hoje, afirmação de identidades e preservação de uma cultura comum, permitiu apresentar ao público do Festival cerca de 60 estreias mundiais e nacionais de obras de Kamran Ince, Jacopo Baboni, Luis Tinoco, Antun Tomislav Saban, Sérgio Azevedo, Emilio Calandin, Alberto Colla, Carlos Marecos, Jean-Philippe Bec, Jesus Rueda, José Eduardo Rocha, Eurico Carrapatoso, Pedro Rocha, Francesco Antonioni, Vito Zuraj, José Luís Ferreira, Gabriel Erkoreka, Nuno Corte-Real, Saed Hadad, José Manuel López López, João Madureira, Miguel Gálvez, compositores da nova geração, juntamente com repertório universal de autores consagrados de outras épocas como Monteverdi, Vivaldi, Seixas, Berlioz, Debussy, Ravel, Falla, Milhaud, Strauss, Berio ou Xenakis que, em conexão com a história, mitos e influencias da cultura do Mediterrâneo, dão corpo ao conceito Tradição – Inovação, principal critério e ponto de partida da programação de cada ano. A execução de poemas sinfónicos como a Sinfonia nº.1, The Fall of Constantinopla (descrição da histórica batalha entre o Imperador Constantino e o Sultão Mehmet, O Conquistador) ou Le Rovine di Palmira (sobre a lenda de Antar) e peças de câmara como Qalbî’ arabî – Os viajantes da noite (sobre textos de poesia luso árabe), Lo specchio di Polimnia (sobre a lenda da musa Polimnia), Sinamay (inspirado no célebre concerto para cravo de Manuel de Falla), I will stay in wonderland, the country of happiness (inspirada nos últimos versos de Antonio Machado: estos dias azules y este sol de la infancia...), ou, ainda, Don Juan, de Strauss; Cinq Mélodies Populaires Grecques e Shéhérazade, de Ravel, são, entre muitas outras, obras de uma autenticidade profunda e linguagem depurada que bem ilustram este conceito.

Desde o início dos encontros, participaram mais de 60 compositores da nova geração procedentes de países do Mediterrâneo, incluindo Portugal, tendo sido apresentadas cerca de 50 estreias absolutas ou nacionais.

Mare Nostrum inspirou a EFA na criação do projecto europeu MusMA, de características inéditas, iniciado em 2010 com o apoio da Comissão Europeia e a Presidência Honorífica do Presidente Herman Van Rompuy, envolve actualmente prestigiados festivais internacionais de dez países, respectivas rádios nacionais e a Eurorádio.