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FESTIVAL DE MÚSICA DA COSTA DO ESTORIL
O Festival de Música da Costa do
Estoril foi fundado em 1974 no seio da então Junta de Turismo da Costa
do Sol como complemento dos Cursos Internacionais de
Música, fundados
em 1962. Teve a sua primeira edição em 1975, passando a ser organizado
pela Associação Internacional de Música da Costa do Estoril a partir
de 1981.
Intimamente ligado a uma função
pedagógica, nele cabem as mais variadas formas de expressão artística
de raiz musical. Nesta perspectiva, a presença da música portuguesa, o
bailado, a música tradicional, a música de câmara, a música
sinfónica, coral ou o jazz e o teatro, são temas que o Festival tem
desenvolvido ao longo da sua história como acção imprescindível à
formação dos jovens músicos de hoje e à apetência de um público
heterogéneo.
A contribuição do Festival à
difusão de novos valores e de criações recentes, tem-se manifestado
através de cerca de trezentas obras apresentadas pela primeira vez em
Portugal, muitas das quais em estreias mundiais, entre as que se contam
obras de Lopes-Graça, Peixinho, Braga Santos, Olavide, Luis de Pablo,
Ohana, Messiaen, Benguerel, Brouwer, Ligeti, Webern, Eisler, Bernaola,
Mayuzumi, Cage, Donatoni, Malipiero, Tomasi, Dessau, Feldman,
Kurtag.
Da visita ao País de mais de um
milhar de artistas estrangeiros destacam-se nomes do maior prestígio
mundial como Mstislav Rostropovich, Rudolf Nureyev, Ruggero Ricci,
Teresa Berganza, Marcel Marceau, Paul Badura-Skoda, Christa Ludwig, Aldo
Ciccolini, Gundula Janowitz, Paul Tortelier, Vladimir Krainev, Zoltán
Kocsis, Pavel Kogan, Brigitte Fassbaender, Cyprien Katsaris, Gérard
Caussé, Ludwig Streicher, Naum Starkman, Rudolf Baumgartner, Alírio
Diaz, Tibor Varga, Alberto Ponce, Alberto Lysy, Michael Nyman, Baden
Powell, Egberto Gismonti, Hopkinson Smith, Eugen Istomin, Boris
Pergamenschikov, Solistas de Sofia, Orquestra de Câmara de Viena,
Orquestra de Câmara Ferenc Listz, Orquestra Barroca da Comunidade
Europeia, Orquestra Filarmónica de Moscovo, Orquestra Filarmónica
Nacional da Hungria, Orquestra Sinfónica Nacional da Letónia,
Orquestra Nacional de Espanha, Orquestra Sinfónica do Estado da
Lituânia, Orquestra Sinfónica Nacional do México, Orquestra Domaine
Musical, Orquestra de Câmara da Comunidade Europeia, Festival Strings
de Lucerne, Orquestra Filarmónica de Ostrava, Virtuosos da Orquestra
Filarmónica de Berlin, Orquestra de Câmara Leningrado
"Hermitage", As Grandes Vozes Búlgaras, Hilliard Ensemble,
Pro Cantione Antiqua, Ópera do Tibete, Ópera de Tokyo, Ballet Nacional
de Espanha, Ballet da Ópera de Nice, Ballet Nacional de Cuba, SamulNori,
Orfeón Donostiarra, Michael Nyman Band, Quarteto Kodaly, Camerata Lysy,
Quarteto Búlgaro, entre outros, muitos dos quais actuaram pela primeira
vez em Portugal.
O Festival tem decorrido em monumentos
nacionais e salas históricas como o Claustro do Mosteiro dos Jerónimos,
Torre de Belém, Sé de Lisboa, Palácio Nacional de Queluz, Teatro
Nacional de São Carlos, Teatro Municipal São Luis, Coliseu de Lisboa,
Teatro Luiz de Camões, assim como no Palácio da Cidadela de Cascais,
Quinta da Piedade (Colares), Museu dos Condes de Castro Guimarães (Cascais),
Igrejas de Carcavelos, Estoril, Cascais, São Domingos de Rana e Escola
Salesiana, Auditório Parque Palmela, Auditório Europa (Estoril),
Salão Atlântico (Hotel Palácio do Estoril) e outras.
Em reconhecimento do seu valor como um
dos expoentes artísticos nacionais, o Festival é integrado em 1983 na
Associação Europeia de Festivais, máximo organismo mundial da
especialidade. Em 1997, Piñeiro Nagy, Director do FMCE, é eleito para
o Comité Executivo da AEF e reeleito por mais dois anos em 1998 e 2000.
Em 1999 é eleito para a recém criada Comissão de Relações com a
Comissão Europeia.
A tradição europeia dos festivais de
arte nasce na mais remota antiguidade emanada do berço da nossa cultura
comum: a Grécia. É no entanto, com o aparecimento dos festivais
trovadorescos nos primórdios do século XIII, e dos primeiros mecenas
em tempos posteriores, que se iniciam os hábitos e tradições chegados
aos nossos dias.
Em 1952 foi criada a Associação
Europeia de Festivais de Música por iniciativa do filósofo Denis de
Rougemont e do maestro Igor Markevitch. A partir de 1992 a Associação
passou a denominar-se Associação Europeia de Festivais.
A sua fundação, na altura do Tratado
de Roma, foi gerada pelos anseios de preservação e divulgação da
cultura europeia como contraponto, e simultaneamente complemento, a uma
Europa unida através da economia, segundo os pressupostos enunciados
por Robert Schuman e Jean Monnet.
Sediada no Centre Européen de la
Culture, em Genéve, os 15 festivais fundadores (Aix-en-Provence,
Bayreuth, Berlin, Besançon, Bordeaux, Florença, Holanda, Lucerne,
Munich, Perugia, Estrasburgo, Veneza, Viena, Wiesbaden e Zurich),
iniciaram as actividades da AEF tendo como premissa um alto ideal
artístico e como objectivo a divulgação da elevada qualidade de
manifestações que pela sua temática, tradição musical onde se
desenvolvem, beleza paisagística ou ambiente peculiar dos seus locais,
permitam a continuidade de velhos costumes enraizados na História da
Europa, contribuindo para uma melhor consciência do significado da
Música na cultura dos povos, na vida do Homem e do lugar
insubstituível que ocupa no seu quotidiano.
Actualmente com 88 festivais
representando 34 países e associações nacionais de festivais de 9
países, a AEF desenvolve no plano formal numerosas actividades,
nomeadamente, promoção conjunta dos seus membros através de uma rede
mundial de agentes oficiais e do Eurofestival Infocentre em Bruxellas,
coprodução e cooperação de espectáculos, seminários para a
formação de jovens directores, troca de experiências e análise de
questões de ordem administrativa, social ou jurídica no âmbito da UE,
bem como financiamentos e relações com ONGs, entre outras.
Em síntese pode afirmar-se que a AEF
é o organismo europeu, e por ventura mundial, com maior densidade de
manifestações artísticas que mais contribui para a criação de novas
produções, divulgação da cultura europeia, relacionamento e
intercâmbio com culturas extra-europeias, reunindo na sua diversidade
uma enorme riqueza de iniciativas inspiradas pela salvaguarda dos mais
genuínos valores culturais como contributo a um melhor entendimento
entre os homens. Neste contexto de extraordinária actividade cultural,
Portugal marca a sua presença através do Festival de Música da Costa
do Estoril.
Em 1985, Ano Europeu da Música, a
Câmara Municipal de Cascais atribuiu a Medalha de Mérito Municipal à
Associação Internacional de Música da Costa do Estoril, realçando o
êxito das acções desenvolvidas no meio internacional para a
integração do Festival na AEF, consagradas com a eleição do Estoril
como sede da Assembleia Geral da AEF desse mesmo ano.
Em Fevereiro de 2000, o Festival
organizou o segundo período do primeiro Eurofest Training Programme
criado
pela Associação Europeia de Festivais em 1999, com o apoio da
Comissão Europeia, European Cultural Foundation, Ministério da
Cultura de Portugal, entre outras entidades, no qual participaram duas
dezenas de jovens procedentes de numerosos países e especialistas
europeus de diferentes áreas da realização, programação e gestão
de actividades culturais.
A partir de 2001 integra as Semanas
de Música do Estoril, sob a denominação Festival do
Estoril
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